sexta-feira, 6 de março de 2009

Bela-Bartok/soquetes do ex


Senti hoje de novo o encantamento da cidade. Fui à piscina dos Banhos Municipais (com mais de cem anos, mandados construir pelo Kaiser, era na altura um edifício social para as pessoas poderem ir tomar banho, porque a maior parte das pessoas não tinha casa de banho em casa) que são muito bonitos. Há uma estátua de Vénus no bordo da piscina e outras simbolizando a maternidade; e ainda banhos romanos semelhantes aos de Budapeste num dos outros andares. Nunca tinha ido a este bairro de dia e é realmente bonito: o rio alarga-se muito nesta zona e nele vi uma manada de cisnes (como se chama um conjunto de cisnes? Não aprendi isso na escola!), eram bem mais que quarenta, e passeavam calmamente. Parece que estão especialmente treinados para aproveitar as correntes. Mantêm sempre o seu porte majestoso e impávido e quando desci até à margem do rio, foram até ao pé de mim e ficaram a observar-me. Um bom momento. Mas não são só os cisnes que tornam esta visão maravilhosa: este é o bairro alemão, burguês, com prédios e vivendas muito elegantes, misturadas com os edifícios góticos típicos deste bairro. Nas margens do rio há ainda os barcos-discoteca, sempre iluminados. Maravilhoso.

Ontem fomos todos à la disco, depois de uma simpática soirée em casa dos belgas. Foi então que eu senti o choque cultural. Não em todas as outras coisas como a maneira de vestir, de estar, de falar francês, os hábitos alimentares – porque aí eu já estava à espera: mas na maneira de dançar. Imaginem um conjunto de dez pessoas de diferentes países, que dançam pela primeira vez juntos, numa discoteca nos confins de Strasbourg, numa festa semi-privada de aniversário sempre com garrafas de champagne a passar muito iluminadas, fotógrafos, e… um electro-techno bem pesado. A polaca parecia realmente um pequeno boneco robótico a dançar ao “ritmo” de Bela-Bartok; as gregas como eu – dançando à latina, claro; a belga (estudante de farmácia de dia e DJ à noite na Bélgica) a dançar como se estivesse num videoclip de house daqueles bem interessantes da mcm. Mas todos a dançar muito bem, acreditem! Ainda mais divertido do que possam imaginar.

A polaca mora longe do sítio onde estávamos e não havia transportes por isso ficou a dormir chez moi. Ela tinha as meias todas molhadas da chuva e eu fui procurar umas para lhe emprestar. As minhas meias chiques alemãs não… as minhas meias velhas também não… até que vejo as minhas meias azuis-escuras da CK! Ah, estou desejosa de me livrar delas há anos, são de um ex que me emprestou um dia na mesma situação e eu nunca devolvi, até que depois acabámos e claro, pareceria um pouco vingativo estar a devolver-lhe umas soquetes. Não? E também não as ia deitar fora porque são boas e quentinhas. Sempre que as calçava lidava com estes problemas morais todos! Finalmente, nunca mais me vou preocupar com elas! Daqui a uns tempos estarão bem longe, em Cracóvia.
Claro que não dormi nada e tinha estágio de cirurgia no dia seguinte mas como a polaca se levantou a horas eu achei que devia fazer o mesmo e levantei-me às 7.30 para ir. Revelou-se uma manhã rentável. Em primeiro lugar o meu tutor (relembro: italiano, sexy, sexy) andava todo contente porque havia doentes portugueses internados e pôs-me a falar com eles e por acaso até fui útil. Peço desculpa, mas tenho que transcrever o seguinte diálogo entre o doente português (dp) e o tutor:
dp – tem aqui no serviço uma mulher muito bonita!
Tutor – pois é, tenho realmente muita sorte. As mulheres portuguesas são todas assim bonitas?
dp – há de tudo, como em todos os países. Mas eu também sou muito bonito!
Entretanto ele foi chamado para as consultas e nós (eu e o meu colega giro do 6º ano) fomos com ele. Eram as consultas de pré-operatório para as pessoas obesas que vão fazer bypass gástrico, e a todas tem que se fazer uma manometria esofágica para despistar problemas de motilidade do esófago que podem complicar o pós-operatório e fazer optar por uma outra cirurgia de obesidade. Fez-me imensa impressão estar a ver as obesas todas a quase vomitar, com o tubo enfiado pelo nariz e, de repente, o tutor olha para mim e diz – vá, agora és tu. Ia desmaiando! Mas lá fiz tudo com muito cuidadinho… (grave se não registasse tudo bem, tinha-se que repetir o exame e é bastante incomodativo!) e correu bem. No final ao retirar o tubo magoei a senhora :(, que quase chorou e por isso eu quase que chorei também. Fiquei mesmo, mesmo triste.

Linda, esta Strasbourg, mesmo quando chove!

5 comentários:

  1. lolol matei-me a rir com o episodio das soquetes do ex!!!! lol só tu!
    beijinho enorme!

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  2. excelente.
    eu tenho umas soquettes (verdes com linhas cor de rosa) duma polaca de varsóvia...Ela emprestou-as em napoles... será possível que outrora essas soquettes pertenciam a um ex dela? ou que pertenciam a outra pessoa erasmus? ou a ex doutra pessoa que deu a outra pessoa etc etc e que acabou o ano passado nos meus meus pés?
    Será que vou conseguir "emprestar" estas minhas soquettes polacas a alguem futuramente? Penso que acabei de arranjar uma missão... Obrigada Carolina.
    A presença destas soquettes na cômoda já me estava a perturbar- sinto-me mal por nunca as ter devolvido... e agora já sei como despacha-las;)
    beijinhos

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  3. não percebi bem a parte do Bela-Bartok. techno, Bela-Bartok? adoro as danças romenas.

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  4. sim, é possível. polaca + techno = bela-bartok

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