nasci de risco ao lado. furei uma orelha num dia e a outra noutro dia e recebi um presente por cada. tomei conta de uma cadelinha e quando ela teve filhos foi pedir-me ajuda e eu dei; os cachorrinhos fizeram xixi nas minhas mãos, mas nunca mais me esqueci. acabei por querer ser médica. li o Palomar, de Italo Calvino, e a minha perspectiva mudou. um dia a minha mãe perguntou-me o que tinha eu almoçado na creche e eu disse: "perna de Mário Rui". ela assustou-se, mas era só porque não me apetecia explicar que tinha sido jardineira. assustou-se também uns dias mais tarde, no último dia de aulas, quando lhe contei o meu primeiro beijo: "mãe, como era o último dia decidi dar beijos na boca aos gémeos". adoro velhinhos. não percebi ainda bem porquê. também adoro orangotangos. porque parecem velhinhos e são cor-de-laranja. e sou uma rapariga, ou seja, tenho uma flor preferida: são os girassóis. para relaxar penso nas tempestades da superfície de Júpiter que chegam a ter três vezes o diâmetro da Terra e tudo me parece irrelevante, e fico bem. ou isso ou que o coração de uma baleia azul é tamanho de um carocha. também serve.
welcome back :)
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